#2noTelhado (2018) #costurasteoricas
foto 1. @tipoforadacasinha
terça-feira, 3 de junho de 2025
um mergulho a magalhães
dobrasdaleitura | Escrevemos resenhas sobre livros (espera-se que os tenhamos lido), mas saiba: isto não é uma resenha, e o que me trouxe aqui foi uma pergunta, no encontro com os participantes do Curso Tatuí de Publicação @salatatui ontem, no módulo sobre processos criativos. E me dou o direito de adotar o estilo “eu nunca leio, só vejo as figuras” — porque mergulhei em um (a)caso na companhia de Sônia Magalhães.
Vi um livro de muitas páginas que ela folheou rapidamente, o que me fez desconfiar da perspectiva renascentista-fotográfica direcionando nossa percepção, olhar e leitura de imagem. Existe um autoritarismo na ilusão de realidade. Quero tudo o que vejo antes e ainda em Giotto, a sua visão em raio-X, o que acontece dentro e fora das casas, das caixas, da cabeça das personagens. Por exemplo, o Papa Inocêncio III sonhando com Francisco de Assis: um senhor pesadelo ver rompida a coluna da santa igreja e a basílica cai-não-cai sustentada pela coluna vertebral do humilde santo... A eficiência narrativa está na geometria dos espaços multiplicados, num mesmo retábulo.
Quero ver mais e mais o que veio depois de Cézanne, senão frutos, massas de cor verde, amarelo, vermelho, as coisas que no mundo se moldam em círculos, esferas e cilindros.
Somos expectadores de uma representação. O quadro Homenagem a Cézanne, de Maurice Denis (1900), é também uma peça imaginada com os figurões da irmandade secreta dos Nabis, em torno de uma pintura realizada duas décadas antes.
O pintor simbolista Odilon Redon tenta se convencer de algum argumento de Paul Sérusier. Ao fundo, o ruivo Édouard Vuillard, o crítico André Mellerio usando uma cartola, o merchant Ambroise Vollard atrás do cavalete, o próprio Maurice Denis, Paul Ranson, Ker-Xavier Roussel, Pierre Bonnard com um cachimbo e, olhando-nos, Marthe Denis, a esposa de Maurice. É ela quem diariamente indaga, e temos vida na fruteira?
Vi um livro de muitas páginas que ela folheou rapidamente, o que me fez desconfiar da perspectiva renascentista-fotográfica direcionando nossa percepção, olhar e leitura de imagem. Existe um autoritarismo na ilusão de realidade. Quero tudo o que vejo antes e ainda em Giotto, a sua visão em raio-X, o que acontece dentro e fora das casas, das caixas, da cabeça das personagens. Por exemplo, o Papa Inocêncio III sonhando com Francisco de Assis: um senhor pesadelo ver rompida a coluna da santa igreja e a basílica cai-não-cai sustentada pela coluna vertebral do humilde santo... A eficiência narrativa está na geometria dos espaços multiplicados, num mesmo retábulo.
Quero ver mais e mais o que veio depois de Cézanne, senão frutos, massas de cor verde, amarelo, vermelho, as coisas que no mundo se moldam em círculos, esferas e cilindros.
Somos expectadores de uma representação. O quadro Homenagem a Cézanne, de Maurice Denis (1900), é também uma peça imaginada com os figurões da irmandade secreta dos Nabis, em torno de uma pintura realizada duas décadas antes.
O pintor simbolista Odilon Redon tenta se convencer de algum argumento de Paul Sérusier. Ao fundo, o ruivo Édouard Vuillard, o crítico André Mellerio usando uma cartola, o merchant Ambroise Vollard atrás do cavalete, o próprio Maurice Denis, Paul Ranson, Ker-Xavier Roussel, Pierre Bonnard com um cachimbo e, olhando-nos, Marthe Denis, a esposa de Maurice. É ela quem diariamente indaga, e temos vida na fruteira?
sábado, 10 de maio de 2025
Dia Mundial da Colagem
RECORTAR é uma palavra semelhante a recordar, coisa de cortar e guardar as
coisas que nos passam pelos olhos e pelas mãos: uma foto, um desenho, um postal,
uma página de revista, e passamos boa parte da vida recortando informações, de
lá pra cá, pra guardar e lembrar depois, para guardar dentro da cabeça, do
celular, de uma caixa, de um livro — a colagem é uma brincadeira de criança que
muitos artistas passaram a se utilizar para evidenciar como o tempo e a
realidade são fragmentos e estilhaços de uma história por mostrar e vale a pena
pensar como uma palavra e mais outra nos dá uma imagem, uma imagem e mais outra
nos dá uma estrela, uma ideia que nos alegra — colar é então aproximar coisas,
coisas alheias e distantes que se tornam mais nossas, e neste livro temos isso
mesmo: UM ZUNZUNZUM VISUAL como é a apropriação de imagens que se transformam
num léxico que nos serve para construir uma mensagem nova a partir de velhas
referências: imagens que boiam pela internet, vindo de manuais de história,
atlas medievais, estocagem e remix de frutas e bichos, monstros, transportes,
filatelia, propagandas, marcas famosas e desconhecidas, texturas, brinquedos,
filmes e fotografias em branco e preto, o colorido dos mestres da pintura e
depois, depois do recorte, vieram nascendo os versos, ora legendas que leem a
composição, ora palavras que me exigiam buscar outras figuras... uma coleção
sem-fim de imagens do passado e do presente aptas a serem remanejadas do seu
lugar, recortar é uma palavra semelhante a RECORDAR
✂️
bastidores do livro #coisacoisas
REEDITANDO o posfácio
para caber numa POSTAGEM
na companhia de Freud, Marx e...
Tina Bau @tipoforadacasinha!
️#2noTelhado #edicoesbarbatana
#colagem imagiário-abecedário
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